terça-feira, 22 de junho de 2010

Sobre a Saudade

...Era como se o teu corpo nu estirado na cama me atraísse o toque por feitiço ou campo magnético. No deslizar da mão pelo teu rosto, teu pescoço. O toque leve que lhe corria o sobressalente osso da clavícula antes de escorrer pelo teu colo. As pontas dos dedos que contornavam o arredondado dos seios, e então os dedos inteiros, a mão espalmada no carinho firme do pressionar a consistência da suave carne mamária. O calor da pele macia encharcada de um suor doce e do carinho que descia pela barriga ao encontro do perfeito triângulo do teu púbis. Os dedos que se apertam e enroscam entre os pêlos, tão negros, e a pele fina do teu sexo num escorregadio afeto. E de novo o toque da mão espalmada que lhe aperta as coxas e corre o liso das pernas.

Eis que a carne se dissolve no toque, evaporada num desamor úmido e atormentado. O calor da presença esfria e o arfar da respiração cala. O peso do corpo já não marca o colchão. O vazio físico, já sem cor, sem nada, é um abismo infinito, de peso insuportável. E assim mesmo não se faz digno de comparação com o vazio que me apunhala a alma quando o travesseiro já não guarda mais o teu cheiro...