domingo, 2 de dezembro de 2007

Guerra Civil / Existência Urbana

Guerra Civil

De tudo que já vi
Nessa injusta vida,
Uma guerra chocou-me mais.
Uma guerra descabida.

Num lugar onde poucos Homens
Com dor derramam
Sangue e suor
Pelas almas que as pessoas abandonam.

Onde poucos Homens
Em silêncio sofrem
Por quererem o bem
Dos que abandonados morrem.

Onde poucos Homens
Realmente sabem
O valor de um abraço
Para que de brotar as lágrimas parem.

Onde poucos Homens
Se enganam e sonham
Por amor àqueles
Que da vida apanham.

Onde poucos Homens
Subitamente param
Para socorrer os
Que da morte escaparam.

E continua
Essa guerra surda
Contra suas entranhas.

E continuo
A razão procurar
Nessas criaturas estranhas.
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Existência Urbana

O pobre e decadente pedaço de corpo
Senta à mais imunda e fria sarjeta,
Cerra os olhos e luta para que o não acometa
A mais cruel doença.
Que ela não pouse a fria mão sobre seu ombro torto.

Agoniza entre gemidos altos e chorosos.
A vida escorre para fora do corte aberto.
O chão desesperadamente rubro, a morte perto.
Lembranças da vida em flashes luminosos.

A pesada mão do pai a ferir-lhe a face,
A violência debaixo do teto que o vira nascer.
As fugas, o pranto, o quase padecer.
E o ácido. Como o mundo se calasse.

O cheiro dos becos sujos invadiam-lhe o nariz.
A cana barata queimava-lhe a garganta.
Os roubos de caixas em casa santa.
E carteiras batidas de turistas perto do chafariz.

Almoçava os podres detritos que tirava de latas.
Quando com sorte, um bom pedaço de carne verde achava.
Quando o azar acometia-lhe, um caco de garrafa ali estava
Para ferir-lhe dolorosamente as mãos atadas.

Um transeunte qualquer lhe presenteava com um real.
Um outro, a sorrir, com um escarro.
Ou a atingir-lhe o rosto triste uma bola de barro.
Talvez não fosse tão ruim este mundo deixar afinal.
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* Dois poemas do tempo de ensino médio. Provavelmente escritos em alguma aula de química, de matemática, artes, sei lá.
Não sei por que, mas gostei de ler esses poemas de novo. Tom nostálgico. Gostei de lembrar de quem eu era. Gostei da ingenuidade dos versos. Da técnica precária.
Enfim, escrita ruim de um garoto. Acho que vale pela sinceridade imatura. Vale por me lembrar por onde passei. Resolvi postar.