quinta-feira, 22 de novembro de 2007

1 Ano de Blog

“(...)Todas as gravadoras estão de portas fechadas.
E você vai continuar fazendo música?

Até os alternativos debandam pro outro lado.
E você vai continuar fazendo música?

A esperança não existe, a esperança é o caralho!
E você vai continuar fazendo música?

Nunca ganhou dinheiro. Muito pelo contrário.
E você vai continuar fazendo música?
(...)
Tenta uma outra coisa, um curso de informática...” *

Hoje este blog completa um ano de existência. Primeiro aniversário. Grande merda. De que serviu essa porra? Não tô mais rico. Não tenho mais amigos, nem inimigos por causa dele. Não me trouxe longevidade. Aliás, pelo contrário. Acho que minha saúde até piorou nesse último ano. A mental, eu digo. A física não faz essa diferença toda. Diabo de trabalho difícil. Escrever é difícil pra caralho. Estar em confronto constante com as próprias idéias. Tenho minhas dúvidas se isso faz bem. Porra, ter que pensar tudo o que digo, escrevo. Que inferno. Sei que falhei uma vez ou outra na tarefa. Paciência. É o preço que se paga por ser humano.

Por que diabos, então, continuo a escrever, se é tão penoso assim e paga tão pouco? Porque eu vou continuar fazendo música. Nem que seja menos por um motivo nobre que por mera teimosia. Porque eu gosto de fazer música. Porque, se não paga bem, ao menos me ajuda a dar os gritos de ódio (e de amor de vez em quando, por que não?) que eu preciso dar. Que todo mundo precisa dar. E, principalmente, porque é um meio que achei de passar a minha mensagem.

Se escrevo bem ou mal, não sei. Não interessa agora. Não que não me importe. Importa, claro. Mas não é o principal. O importante mesmo é a mensagem, e sei que isso eu venho passando bem, pra meu alívio. É essa certeza que me motiva a continuar colocando textos aqui. O universo que atinjo é pequeno, minúsculo. Eu sei disso. Mas se uma única pessoa lesse e entendesse, pra mim já seria suficiente. Não digo ter a pretensão de mudar o mundo. Afirmo, com todas as letras, que farei a minha parte. Os mais céticos que me perdoem, mas essa não é uma questão de argumento. Tomo as porradas que tiver que tomar sorrindo. Afinal, me mantém firme a teimosia. A teimosia de um humanista puto da vida. Quer argumento mais forte que esse?

Portanto, fica aqui meu grito de “EU VOU CONTINUAR FAZENDO MÚSICA!” Porque eu sou teimoso e acredito em heróis. E não me venham dizer que a tarefa é difícil. Quem disse que a vida é fácil? A vida é dura. Quem não agüenta pula do Pátio Brasil, vota no DEM, sei lá. Foda-se. Eu vou continuar avançando, porrada após porrada. Vou o mais longe que conseguir. É o único jeito de descansar quando a última porrada vier e acabar com a minha festa. Mas espero ter sido competente o suficiente pra essa porrada não acabar também com a minha raça. Eu ainda acredito em Marx, senhores. Apesar de todos os livros de sociologia e economia trazerem capítulos intitulados “Por que não acreditar em Marx” ou “Onde Marx errou”. Eu acredito. Foda-se. Eu ainda me visto de vermelho, voto nos comunistas. Não tenho camisa do Che, mas se tivesse usaria. Acho até que vou arrumar uma. Eu sou teimoso. E faço música. E me arrancam sorrisos as pessoas que também fazem.


*Trecho da música “Você vai continuar fazendo música” de Rogério Skylab.